sábado, 13 de fevereiro de 2010

O Futuro das Famílias

O ano é 2017
O Local é uma discoteca e são 3 da manhã.

Um rapaz de 14 anos dirige-se, muito envergonhado, a uma rapariga da mesma idade e diz:
"O meu pai quer saber se a tua mãe é divorciada"

Já todos sabemos que a noção clássica de família está a desaparecer, mas os laços entre pais e filhos não se estão a tornar piores do que antes.

A relação Pais e Filhos, mudou de uma relação de autoridade para uma relação de Espaço e de Espaço para Amizade.

Cada vez mais os pais procuram se integrar nas actividades dos filhos:
jogar os mesmos jogos, ouvir a mesma música.

Deixaram de proibir os filhos de ir À discoteca para passar a leva-los. E eventualmente vão conseguir até ir com eles.

Por um lado querem protegê-los, mas é também uma forma de não se sentirem velhos. Querem ser cool's e provar que mantêm o espírito jovem.

Aos poucos vão ganhando esta batalha e começa-se a tornar comum que pais e filhos partilhem actividades.

É sempre dificil para os primeiro habituarem-se a sair com os pais, mas aos poucos torna-se normal e deixa de ser vergonha (tipica dos adolescentes)

E claro que os adolescentes também ganham porque mais facilmente ganham aquilo que querem.

A contribuir para esta mudança esta a tendência de desvalorização da privacidade. As novas gerações têm tendência a colocar na internet tudo sobre a sua vida privada. É apenas normal que os pais consultem o facebook para conhecerem, compreenderem e até se relacionarem com os filhos.

O Buzz do Google

Tenho ouvido alguns "especialistas" dizerem que o Buzz do Google vem fazer frente às redes sociais.

Mas este conceito está completamente errado.

O Buzz vem fazer frente ao micro-blogging.

Vamos por passos. Redes Sociais são: Hi5, Facebook, Linkedin.... O que estas plataformas fazem é agregar contactos.

Micro-blogging é o que faz o Twitter.
Reparem que o Buzz até separa o "estás a seguir" do "quem te segue" que é uma política completamente diferente das redes sociais.

A confusão vem de que o Buzz surgiu para fazer frente ao Facebook, que é uma rede social, mas não só.
A força do Facebook é ser uma rede social, que agrega micro-blogging, partilha de videos e fotos e aplicações. Entre as aplicações encontram-se os Quizes geralmente idiotas e os jogos (o farmville e o mafia-wars).

Não há dúvida que o Facebook se tornou um gigante (com ou sem pés de barro) porque agrega um conjunto de funcionalidades. Para mim o Facebook é uma fonte de música, enquanto para outros é um local de discussão.

Mas se por um lado, de momento a tendência é agregar funcionalidades não é a agregação que vai vencer a batalha. A vitória será dada pela acessibilidade da informação.

Num contexto de excesso de informação os social geeks têm dificuldade em separar a informação fundamental do ruído, o trabalho do lazer. Entre vacas, galinhas e gangsters perdemos por vezes a informação importante.

"A má informação esconde a boa informação".

Para vencer esta batalha é necessário trabalhar o conceito de layers(camadas) de informação. Para o utilizador é fundamental que a informação mais importante esteja mais próxima, mais destacada, mais acessível.

Por exemplo, numa primeira camada está o sms, numa segunda o email e só numa terceira o micro-blogging.

O Google tem tudo para ter sucesso com o Buzz. Enquanto o Facebook se afunda em aplicações o Google tem que se manter limpo e eficiente como nos habituámos.
Juntando ao Gmail, o Buzz, os Google Docs, o Picassa e outros o Google poderá ser o primeiro a levar-nos para a virtualização de desktops, ainda que pelo caminho tenha dado alguns trambolhões como foi o google page.

Nesta guerra entre o facebook e o google temos também que ver uma coisa. É verdade que o Facebook tem muitos inscritos, mas quanto tempo passam os utilizadores efectivamente no facebook e que importância tem aquela informação para eles? Terá certamente bem menos importância que o nosso email.

Uma vantagem do Buzz seria combinar o micro-blogger com o reader de blogs. E já que o blogspot (a plataforma de blogs mais usada) é do google, faz todo o sentido usa-la para seguir os nossos blogs favoritos.

E você?
Já adicionou o Já a Seguir?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A necessidade de Limitar o acesso ao crédito

Durante as décadas de 80 e 90, gerou-se a ideia de que o preço do imobiliário é de valorização constante. Mas esta ideia é completamente falsa.
Na verdade, se os mercados fossem equilibrados e estáveis deveriamos vender uma casa sempre mais barata do que a comprámos.

Houve dois factores que mantiveram esta situação até aos primeiros anos deste milénio:
O primeiro foi a subida do nível de vida dos portugueses.
O segundo e mais importante factor foi a crescente facilidade na obtenção de crédito, que fez com que as pessoas se endividassem cada vez por mais tempo e a pagar menos juros.
O terceiro factor é a especulação. Como percepcionávamos que o mercado imobiliário era de valorização contínua, muitos optavam por investir em imobiliário o que parecia ser um investimento seguro. E assim foi até ao colapso financeiro. O problema da especulação é que assim que os outros factores desaperecem este inverte-se.

Os bancos que emprestavam dinheiro para o segmento mais baixo, apelidado de sub-prime, são hoje vistos como vigaristas, mas na altura eram quase vistos como humanistas. E o problema está na dificuldade de percepcionar o mal causado pela cedência de crédito.

As pessoas que pedem créditos para a sua casa ficam geralmente radiantes pelos prolongamentos do prazo de pagamentos de 20 anos para 30, para 40 ou para 50 anos. No momento de pedir o crédito, parece-lhes fantástico, pois com as mesmas prestações conseguem ter acesso a um valor muito superior.

O problema é que essas pessoas não irão comprar uma casa melhor, apenas irão pagar mais pela mesma casa. Isto acontece porque quando a procura tem mais poder de compra os preços no mercado sobem.
O único factor que vem atenuar esta diferença é que ao haver mais poder de compra, dispara a construção, levando a um aumento da oferta e atenuando a subida de preços.

E isto é o que se tem passado em Portugal nas últimas décadas: prolongamento dos prazos de pagamento, subida do preço do imobiliário e aumento desenfreado da construção.

O problema surge no momento de pagar estes créditos. A maioria dos devedores não são pessoas com formação ou conhecimentos sobre crédito que lhes permitam tomar a melhor decisão. A escolha deles, pautada por irracionalidade é frequentemente pedir o máximo de empréstimo com menores prestações. Este pedido de empréstimo adia ao máximo o pagamento, levando o devedor para riscos elevados e consequentemente spreads elevados.

Quando o banco nos dá um spread elevado, o que ele na verdade nos está a dizer é “Temos dúvidas que sejas capaz de pagar”. Mesmo com garantias do património, o banco quer que toda a gente seja capaz de pagar a sua dívida, porque o negócio deles não é vender casas. Hoje como duvidam que as pessoas sejam capazes de pagar a sua casa e como esperam que elas desvalorizem no mercado, cobram spreads elevados para se protegerem.

A razão porque o spread é proporcional ao risco não tem nada de errado e é fácil de entender. Quando um devedor não paga ao banco, este tem de cobrir a perda com as receitas dos outros devedores. De forma a ser mais justo, faz todo o sentido que cobre mais spread aos créditos de alto risco e menos aos de baixo risco.

Os Governos, por seu lado, têm vindo a compactuar com esta situação pois têm muito a ganhar no curto prazo. A construção disparou oferecendo emprego, as casas valorizaram e as pessoas estão contentes porque têm acesso a crédito e vêem o seu património a ser valorizado.

Ficam apenas dois problemas por resolver. O preço das habitações começa-se a tornar incomportável para os jovens e a bolha especulativa que se forma algum dia irá rebentar.

A subida do preço das casas contribui para a saída tardia dos jovens de casa dos pais e representa um grande entrave para qualquer investidor. O imobiliário e a mão-de-obra são bens complementares o que significa que quando o preço do imobiliário sobe, diminuem-se as contratações.

E eventualmente esta bolha rebenta, como todas as bolhas especulativas e foi o que aconteceu nos EUA e em outros locais do mundo. Em Portugal, o preço das casas não caiu vertiginosamente porque o Banco Central Europeu desceu as taxas de juro para valores absurdos.

Contudo, esta descida das taxas de juro está a ser mantida baixa artificialmente. Sempre que alguém pede emprestado há outro a emprestar e a taxa de juro é um mecanismo de equilíbrio entre estes dois elementos. O BCE apenas consegue manter esta taxa de juro baixa através de injecção de dinheiro que temos de pagar com os nossos impostos, beneficiando assim quem está altamente endividado e prejudicando as pessoas mais responsáveis.

Mas mais tarde ou mais cedo, os preços vão ter de equilibrar e nessa altura poderá ser uma queda demasiado abrupta. Vivemos hoje do dinheiro que a China empresta à Europa. Se a China decidir fechar essa “torneira” o BCE sozinho não tem qualquer hipótese de aguentar esta situação.

A solução mais realista é voltar a reduzir os prazos máximos dos empréstimos para a habitação, para 30, eventualmente para 20. E ao mesmo tempo, de forma a permitir um maior equilíbrio nos mercados flexibilizar por completo o mercado de arrendamento. Estas duas medidas farão com que progressivamente, desça o preço do imobiliário, mas seja simultaneamente sustentado pelo arrendamento. Quem quiser valorizar o seu imobiliário poderá fazê-lo arrendando a sua casa a terceiros, conseguindo assim não perder dinheiro.

No longo prazo, o sector imobiliário ficaria mais estável e seguro, com preços mais baixos e acessíveis a todos.
No sector financeiro as famílias estariam menos endividadas, pagariam menos juros ao longo da vida e consequentemente teriam maior poder de compra. As taxas de esforço desceriam dos actuais 50% para os antigos 30%.
Ainda no sector financeiro, diminuiríamos o nosso endiv idamento externo conseguindo controlar internamente e a nível Europeu as taxas de juro em valores mais baixos.
A nossa economia ficaria certamente mais ágil, pois com a descida do preço do imobiliário torna-se mais fácil ser empreendedor.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Listeners – a new approach into psychology services

Have you ever felt the need to be heard? Being heard is a wonderfull way to fight loneliness.

But in a money oriented society where everyone wants to be heard and no one is prepared to listen, it’s just expectable that someone will pay to be heard and someone else will be paid to hear.

In a way that is what shrinks do. But a shrink has a lot of skills, training and payment expectation for someone whose job is only to listen.
On the other hand, such a job would require training. Some basic skills and a diploma to increase perceived value would be needed.

This kind of services is typically provided under a brand and a somewhat pyramidal scheme. Something similar to NLP or Swasthya Yoga should be selling training, defining levels, and professionals would keep their incomes.

Such a service would lead us into great social arguments. Someone will oppose saying that we cannot sell “friendship” and such a service is only a lie. Others would defend this service saying that it is a great way to fight loneliness and if it feels good we should do it.

domingo, 13 de dezembro de 2009

O experiêncialismo

O Experiencialismo (em falta de um nome melhor) é uma tendência cultural muito forte e que ao longo das últimas décadas tem mudado a forma como vemos o significado da vida.

As últimas gerações atribuem a maior importância às experiências que têm na vida. Muito próximo do conceito de viver a vida ao máximo, não basta viver a vida intensamente, mas com uma elevada diversificação de experiências e sensações.

O Sucesso sempre foi medido de várias formas. Actualmente muitas pessoas medem o sucesso em experiências vividas. Não é tanto a pessoa que tem mais dinheiro que é considerado bem sucedido, mas aquele que passou por mais experiencias marcantes: os países que visitou, os empregos que teve, as pessoas que conheceu, os namorados ou namoradas que teve, os desportos que praticou, as vitórias conquistadas e tudo aquilo que tenha marcado a sua vida.

A frase recorrente de “não quero morrer estúpido” que serve de justificação para experimentar tudo, mesmo o que é mau para nós, demonstra a inferioridade de estatuto que por vezes se atribui a quem tem menos experiências.

O experiencialismo nasceu num conceito de intensa competitividade. Nas culturas urbanas existe uma forte competitividade que surge na infância e se prolonga ao longo da nossa vida. Seria injusto chamar a esta competitividade de infantil já que os adultos passam pelas mesmas rivalidades.

Nesta cultura de competitividade, o que interessa não é ser muito bom numa coisa. O que interessa é ser bom em tudo, ou pelo menos no máximo de coisas. E como vivemos numa sociedade em que tudo muda a uma velocidade estonteante, dificilmente alguém explora exaustivamente uma área de saber. O indivíduo que consome demasiado tempo da sua vida num certo tipo de experiência é por vezes visto como tendo “morrido para o mundo” ou “estagnado”. É a diversidade de saberes que confere estatuto ou diferenciação.

Já as consequências que esta tendência tem sobre as nossas vidas são enormes. Em primeiro lugar confere-nos um estilo de vida aventureiro que nos leva a ser conhecedores e inovadores, ainda que o conhecimento tenha tendência para ser superficial e extremamente emotivo.

Ao nível das empresas e do Marketing a oferta de experiências é a nova moda. A seguir aos health-clubs veio a venda de experiências. Entre venda específica de experiências como a famosa empresa “A Vida é Bela” e a associação de uma experiência a um determinado produto ou serviço como a corrida Nike ou o Starbucks várias são as formas de integrar o conceito de experiêncialismo na oferta de valor ao cliente.

Este fenómeno é consequência e também causa da velocidade de mudança que não pára de aumentar.

domingo, 6 de dezembro de 2009

2010 - Finalmente o Ambiente

A ONU declarou 2008 como o ano internacional do planeta Terra. As preocupações sobre o ambiente começavam finalmente a ser ouvidas de forma unânime. As dúvidas dissipavam-se e as conversas de rodeio iam desaparecendo.

Ao longo do ano de 2008 o ambientalismo ganhou alguma força, mas a crise económica veio deixar o ambiente em segundo plano. Aparentemente a comunidade mundial não era capaz de se preocupar com duas prioridades ao mesmo tempo.

A crise económica parece estar resolvida, ou pelo menos no bom caminho e agora já o ambiente consegue chegar às páginas dos jornais.
2010 será o palco em que o ambiente vai finalmente assumir a importância e prioridade que necessita.

A China já demonstrou vontade de mudar, bem como os EUA e os jornais do mundo parecem estar convencidos do seu papel.

Tudo indica que 2010 vai ser o ano em que todas as grandes batalhas vão ser travadas. Esta mobilização colectiva mudará a forma como utilizamos os nossos recursos e energia.

Já é tarde demais para conseguir travar o aquecimento global através da simples redução de emissões. Do outro lado da mesma moeda é necessário conseguir fazer retenção de carbono.

Ainda com pouco significado, as actividades de retenção de carbono aguardam por um pouco mais de atenção e projecção.

A forma como se irá combater o aquecimento global determinará o panorama energético para as próximas duas décadas.

2010, o ano que marca a mudança da década irá trilhar um caminho fundamental na forma de encararmos os mais importantes recursos.

MAs será que surgirá outra prioridade?

sábado, 3 de outubro de 2009

Afinal o comboio já está nos planos da China

Eu não sabia quando escrevi o post anterior, mas pelos vistos a China já está a negociar os comboios de alta velocidade.

Naturalmente, vai ser necessário uma quantidade massiva de energia, que apenas o nuclear consegue obter.

Portanto, esta transformação de que falei nos ultimos posts, não deve tardar.

Fica um artigo sobre comboios de alta velocidade na China.

O único método que apliquei nos artigos anteriores, foi olhando para a visão habitual do governo chinês, perceber que problemas tinha de resolver.

Um mega-investimento em comboios de alta-velocidade era o mais expectável.